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segunda-feira, 16 de julho de 2012

O Alive visto por mim


Terminou ontem mais uma edição do Optimus Alive. Este foi o ano da sexta edição e também o ano da ascensão de diferentes culturas no mesmo festival. Segundo dados da organização estiveram presentes 16 mil estrangeiros oriundos de 54 países espalhados pelo mundo fora, mas não é disto que quero falar, quero falar sim da minha visão e opinião sobre todo o festival.

Sexta feira arrancou com as expectativas centradas no palco Heineken e não me arrependi de nada do que lá vi, foi tudo tempo bem empregue, ok não é de todo verdade LMFAO foram os piores 20m de concerto a que assisti na minha vida (contudo dizem que acabou melhor do que começou). Antes de assentar arraiais no Heineken, a primeira banda a que assisti foram os Refused no palco Optimus, desconhecendo quase no geral o trabalho desta banda, esperei ansiosamente o encore, onde eles tocam sempre o new noise, e não nos deixaram ficar mal, pois fomos brindados com esta excelente música de uma forma efusiva como se de uma celebração se tratasse. Mal se deu pelo tempo passar e os Snow Patrol já estavam em palco a promover o seu ultimo álbum, não sou grande fã da banda mas o concerto foi bastante agradável, assisti ao inicio e ao fim (o meio foram os tais 20m que não me quero recordar). Com a espera ainda deu para assistir a primeira e única música que conheço dos Stone Roses e caminhou-se de novo para o palco Heineken onde Santigold deu um concerto muito bom cheio de energia a abrir caminho para o melhor concerto da noite (na minha opinião) que foi o dos Buraka Som Sistema "pouca conversa e muita música que o tenpo é curto e a malta quer é curtir" ouvia-se do palco, Komba foi muito tocado, mas não deixaram de parte os velhos êxitos, de um modo geral foi saltar até não poder mais ao ritmo do kuduro progressivo que só eles sabem fazer. Buraka acabou e a romaria voltou ao palco Optimus onde os Justice iam fechar a noite por lá e não se deixaram ficar pela fama, mostraram mesmo porque eram merecedores de tal prémio, o concerto pecou apenas por ser curto, mas por um lado foi bom pois deu para assistir a Brodinski no Clubing e ir alternando com Death in Vegas no Heineken.

Sábado os anfitriões seriam Florence and The Machine (que foram substituídos pelos Morcheeba após terem cancelado o concerto por motivos de saúde da Florence) e os The Cure no palco Optimus, no Heineken o trono era entregue a Tricky contudo foi um dia de surpresas, umas agradáveis, outras nem por isso, mas é nestas situações que os festivais ganham a sua graça. Os Portugueses We Trust abriram o palco Optimus num concerto curto mas essencial, devem ter tocado o álbum todo mas o pouco público presente parecia agradado Noah and The Whale estiveram a altura, mas creio que no palco Heineken teriam dado um melhor espectáculo. A primeira surpresa da noite veio dos Mumford & Sons que apesar de serem pouco conhecidos no nosso pais, souberam agarrar o público de tal modo que em certas alturas toda a gente cantava alto e bom som todas as letras das músicas por eles tocadas "The Cave" fechou este fantástico concerto que podia muito bem ter sido o cabeça de cartaz, ou pelo menos tocar antes dos The Cure. Morcheeba não me chamava por isso fui até ao Heineken para me surpreender novamente, Awolnation, os senhores da música que serve de banda sonora do anúncio da PT deram um concertão e bem que podiam também tê-lo feito no palco principal. Energia foi o que não faltou e o estilo musical deles é tão abrangente que é impossível ficar-se indiferente a esta banda "we are all one nation, this is what we call Freedom" era o que se ouvia durante a ultima música que até teve direito a crowd surfing por cima da plateia que assistia. Seguiu-se um dos senhores da noite Tricky mandou o palco baixo com a cover do "Ace of Spades" dos Motörhead e só por isto devia ter tocado no palco principal. Com o concerto de Tricky a aproximar-se do fim os The Cure começaram o seu prometido concerto de três horas, contudo ao fim de 40 minutos (se tanto) a maioria dos presentes já perguntava quando é que eles acabavam. É natural que numa setlist onde são tocadas 38 músicas não se conheça grande parte das mesmas se não formos mesmo fãs assíduos da banda, mas o concerto de tão longo tornou-se aborrecido, teve direito a três encores mas a empatia foi praticamente zero, pulou-se com "Friday i'm in Love" dançou-se em "Just like a dream", deprimiu-se em "The Forest" e cantou-se em "Boys don't cry" fora isso achei mesmo muito maçador. Mas, para arrebitar de tal cansaço nada como voltar ao palco Heineken para ver os Blasted Mechanism a fecharem o dia, mas não sem antes passar pelo Clubing onde o grande James Murphy fazia o seu DJ set.

Domingo, o tão aguardado dia, o dia que tinha esgotado um mês antes, o dia que fez com que os passes de 3 dias tivessem também esgotado, finalmente tinha chegado. Mais uma vez uma banda Portuguesa a abrir o dia, desta feita foram os PAUS que com a sua bateria siamesa deram um concertão, por vezes um pouco lamechas e a lembrar situações de soft porn, mas a nivel de musicalidade foi o melhor inicio de dia que se podia esperar. Mal acabou foi correr até ao palco Heineken onde as Warpaint estavam a tocar, e que delicia de concerto, apesar de ainda ser cedo o recinto já estava bem cheio pois os cabeças de cartaz (Radiohead) assim o obrigavam, e as Warpaint agradecem pois tocaram para bastante gente, entre fãs e entusiastas todos saíram de lá felizes. The Kooks que tocavam no palco Optimus tiveram de ficar de lado pois após as Warpaint, os The Maccabees tomaram conta do palco e fizeram o que sabem fazer bem, apesar de não ser uma banda com grande influencia por cá, os estrangeiros deliraram e há que admitir o concerto foi bom. Seguiu-se Mazzy Star, mas bastou ouvir a primeira música para abandonar o palco e ir ver Caribou para o palco principal. Uma electrónica soft mas muito bem concebida foi o aperitivo perfeito para assistir a Radiohead. Já não se arredou mais pé do palco principal, pois mesmo quem não gasta-se de Radiohead não tinha mais nada para assistir pois os outros dois palcos estavam parados (erro crasso da organização no meu entender). E eis que chega o momento, a banda de Tom York sobe ao palco e num excelente espectáculo de luzes e imagem alegrou os entusiastas que é o meu caso, e com uma set list digna de deuses, deixou os verdadeiros fãs eufóricos do primeiro ao ultimo minuto. Muito sinceramente não gostei do concerto, lá está por ser apenas um entusiasta que conhece meia dúzia de músicas e nenhuma delas foi tocada, contudo os fãs sabiam para o que iam, e é a eles que a banda tem de agradar. Apesar de ter sido Domingo após Radiohead o palco Heineken voltou a ganhar vida para os três melhores concertos da noite. SBTRKT, The Kills e Metronomy deram o seu melhor e fizeram-no muito bem.
Esperamos que para o ano seja pelo menos tão bom como foi este, porque apesar de algumas falhas e muitas delas com precedentes, o Optimus Alive é mesmo o melhor festival em Portugal.
    

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