Até há dois anos atrás todos os super mercados estavam fechados no primeiro de Maio, a única coisa que abria eram os grandes centros comerciais e as suas lojas, que sempre se tiveram marimbando para os direitos dos trabalhadores e apenas pensavam nos seus umbigos. É verdade que as pessoas não deixavam de ir as compras e como tal acabava por se justificar os espaços estarem abertos, as justificações dadas (entre muitas) é que os hospitais também não fecham. Como se fossem necessidades semelhantes ter de ir a uma urgência hospitalar, ou ter de comprar umas cuecas ou um cd.
Mas voltando ao que interessa, o Pingo Doce o ano passado foi o primeiro super mercado a não respeitar o primeiro de Maio, emitindo uma carta ao cliente (que na altura se revoltou) a explicar o porque. Nessa carta explicavam que não tiravam a liberdade de um trabalhador querer cumprir o devido feriado, contudo ser-lhe ia retirado um dia de férias para compensar o esforço dos colegas que se "voluntariaram" para trabalhar no dia do trabalhador. O povo protestou e levou a mal a decisão dos Pingo Doce e fez um espécie de boicote ás instalações e as facturações sentiram-se nesse dia.
Ontem, um ano depois de toda a polémica, um ano depois de se ter quebrado uma regra de ouro o primeiro de Maio no Pingo Doce voltou a ser um dia especial, uma promoção que permitia o povo em todas as compras superiores a 100€ e limitadas a 12 unidades por artigo ou de 10kg de frescos por artigo (também tinha umas excepções que não me lembro) pagar apenas metade do valor das mesmas, fez com que o povo se esquecesse que era dia do trabalhador e todos correram em massa aos super mercados para atestar as dispensas. Sei que estamos numa fase difícil e as coisas começam a tocar a todos, mas assistir ao que assisti ontem no Pingo Doce, pensei que acontecesse apenas em países do terceiro Mundo onde as pessoas se atropelam por um punhado de arroz ou feijão que os vai alimentar.
Ontem "lutava-se" por uma palete de leite, ou por um saco de pão, as filas eram enormes, o tempo de espera na caixa era superior a uma hora, andar dentro do super mercado exigia quase termos um sistema de GPS, as pessoas rapidamente se esqueceram do ano anterior onde fizeram o boicote e marcaram todas presença na feira do Pingo Doce, realmente a memória é curta mas já estamos habituados a isso. Ontem no Pingo Doce ouvia-se "venha ao Pingo Doce de Janeiro a Janeiro, não venha no primeiro de Maio que está lá o pais inteiro" e é uma grande verdade....

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